Lula e Chávez junto aos trabalhadores da

Refinaria de Petróleo “Abreu e Lima” em Pernambuco

 

 

 

AVANÇA A INTEGRAÇÃO ANTIIMPERIALISTA DA AMÉRICA LATINA

 

 

            O processo de rebelião contra a dominação econômico-militar neo-liberal encabeçada pelo imperialismo norte-americano, presente no rechaço a estas políticas através da eleição de novos governos populares  e de esquerda na América Latina, se propaga de modo significativo retomando as bandeiras do nacionalismo, de Perón, de Getúlio Vargas, de Torres, de Cárdenas,  de Gaitan e Sandino e, também a discussão sobre o socialismo, impulsionada por Hugo Chávez. Além disso,o que é mais importante, este processo vai avançando em medidas para  uma integração e coordenação bolivariana dos países como jamais visto no continente. Este processo, inevitavelmente, leva a  retaliações agressivas, incluindo militares, por parte do  império capitalista.

 

            O bombardeio da Colômbia contra o acampamento das FARC violando a soberania do território do Equador, a partir de uma base militar norte-americana em território colombiano, teve o objetivo de travar e destruir o processo de negociação e pacificação, a solução política e o intercâmbio humanitário na Colômbia, mas principalmente, o avanço da coordenação antiimperialista latino-americana centralizado pelos governos revolucionários da Venezuela e Equador na região (Equador discute uma nova Assembléia Constituinte e discute a ruptura do convênio para a utilização da base militar de Manta por militares dos EUA). Não obstante o golpe alcançado com o assassinato de dois dirigentes importantes das FARC contra a possibilidade de um acordo por uma frente progressista e democrática no plano interno da Colômbia, o imperialismo não tem podido impedir do ponto de vista regional a intervenção e a articulação aguerrida de governos de esquerda como já expresso na Cúpula do Rio em Santo Domingo, e nos posicionamentos recentes da OEA. O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, defende Chávez, desmentindo as acusações de Bush que o qualificaram como “terrorista e cúmplice das FARC”.  Porém, como a demonstrar que não irá ficar de mãos atadas e sem iniciativas, o imperialismo acelera outras ações bélicas e intimidatórias visando provocar uma conflagração entre Colômbia e Venezuela que lhe daria o pretexto para expandir suas operações militares na região e até mesmo justificar uma ação direta contra a Venezuela rica em petróleo, combustível que se escasseia nos EUA. Não há dúvidas de que não hesitará em desrespeitar a legalidade internacional, como não respeitou as resoluções da ONU ao guerrear contra o Iraque e preparará novas provocações como continua fazendo ao instigar a autonomia reacionária da oligarquia separatista na Bolívia. A reativação da Quart a Frota Naval dos EUA para a América Latina é bem indicativo da forma de sua “resposta”.

 

            Todas essas ações respondem à ameaça que significa para a estabilidade dos interesses do FMI, das grandes corporações financeiras e petroleiras do imperialismo, governos como o de Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Cristina Kirchner, Ortega e também Lula, que têm estabelecido não somente alianças nos organismos e cúpulas internacionais, mas ações concretas de governos onde o poder de estados nacionais contra o poder das multinacionais tem se reforçado. Vejam-se as nacionalizações de empresas petroleiras e das telecomunicações decretadas por Evo Morales durante o 1º.  de maio. E Lula, abre as portas para que a reunião de UNASUR tenha lugar agora no Brasil. A vitória de Fernando Lugo no Paraguai reforça e amplia este novo processo latino-americano. O fracasso político da “viajante da morte”, Condoliezza Rice, em visita ao Brasil, se resume em declarações posteriores do Ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, de apoio aos presidentes da Venezuela e Equador contra acusações de alianças com a guerrilha colombiana; de que o Brasil não permitirá a navegação da Quarta Frota da Marinha norte-americana em águas brasileiras sem autorização do país; e de que a posição do governo brasileiro é pela criação de um Conselho de Defesa Latino Americano, sinalizando uma não subalternidade ao papel imperialista dos EUA na América Latina.

 

 

A eleição de Fernando Lugo no Paraguai amplia a

Frente antiimperialista na América Latina

 

            Esta proposta de um Conselho de Defesa Latino Americano é mais um elemento importante para afirmar a soberania e integração dos povos na América Latina, como os demais no plano econômico, cultural e comunicacional: a ALBA, o Mercosul, o Banco do Sul, o Banco da ALBA, a Telesur, a Universidade do Sul e o Gasoduto do Sul, que já são projetos em marcha. É indispensável uma indústria militar unificada, com tecnologias nacionais e produção independente das multinacionais, uma coordenação militar latino-americana na defesa dos recursos naturais e energéticos que pertencem ao povo latino-americano. Os acordos entre a Argentina e o Brasil já estão nesse caminho. Desta forma se estimula a que os militares passem a cumprir uma função social ao lado dos sindicatos mineiros e operários, dos camponeses e indígenas, na luta pela apropriação da terra e dos recursos naturais como Estados soberanos, rompendo com a concepção norte-americana do exército de mercenários no Iraque.

            O papel das correntes militares nacionalistas já foi recordado também pela presidenta da Argentina que, por sua vez, dirige uma luta de duplo poder contra os latifundiários exportadores de gado em razão de priorizar o abastecimento interno de alimentos, bem como de dar ênfase a projetos de educação, saúde, trabalho, moradia, cultura, recreação e acesso a serviços públicos das infra-estruturas essenciais para as populações pobres. A Bolívia também tem demonstrado como não há como defender as nacionalizações e a unidade do país contra a autonomia regional que encobre os interesses contra-revolucionários de apropriação regional das riquezas nacionais, sem a população mobilizada, os mineiros e a COB, recorrendo à tradição nacionalista do exército. A classe trabalhadora e os indígenas da Bolívia votaram em milhões com os pés diante do plebiscito ilegal da oligarquia separatista de Santa Cruz. Disseram um “não” a um Kossovo na Bolívia. Porém os avanços da revolução estão em risco ao se manter a luta dentro do respeito à legalidade burguesa chamando ao plebiscito sobre o mandato presidencial. Na Bolívia chegou a hora de impor o poder popular em aliança com correntes nacionalistas militares rompendo com a estrutura burguesa do exército minada por alas contra-revolucionárias. O respeito à legalidade burguesa vai até o limite em que não se coloque em risco as conquistas revolucionárias, ou que se desencadeie uma violência armada contra o povo. O alerta nos processos da América Latina deve ser constante, pois está na ordem dia uma ruptura com a função militar estabelecida pelos ianques que atuam através de suas bases militares na Colômbia, Peru e Paraguai, exclusivamente contra o narcotráfico e, o chamado “terrorismo” para justificar suas invasões territoriais. O Exército Brasileiro preocupado com as ameaças de “internacionalização da Amazonia” firmou com o Vietnã um acordo de cooperação para o intercambio de experiências de guerra na selva, e a academia militar programa estudos de Ho Chi Min, Giap e Che Guevara.

 

            O processo na Venezuela é um exemplo e um laboratório. Ao mesmo tempo em que é um motor, junto a Cuba, do internacionalismo e da solidariedade com outros povos (os acordos petrolíferos, as missões milagres), avançou nas suas medidas econômicas internas aprofundando as estatizações e nacionalizações como na indústria do cimento, da siderúrgica Sidor, nas telecomunicações e na criação de empresas estatais para a produção de alimentos, como o leite, tratando de responder à sabotagem do desabastecimento imposto pela oposição burguesa. Dentro do debate auto-crítico da “retificação, revisão e reimpulso” do pós-referendum de dezembro 2007, a construção do Partido Socialista Unificado da Venezuela, e o estímulo aos organismos de poder popular nas cidades tem sido a tarefa central para recuperar o impulso das massas que impediu o golpe reacionário de abril 2002. Em todos os processos da América Latina se coloca a necessidade de construir um Partido Unificado Revolucionário de Massas para avançar do governo ao poder. Ganhar o exército e construir o Partido de massas. São duas tarefas centrais na Venezuela para impedir um novo pinochetaço e bloquear as tentativas do imperialismo contra Chávez e a revolução bolivariana.

 

            Foi de grande importância na Venezuela a realização do I Encontro Latino Americano contra o Terrorismo da Midia para criar os autênticos instrumentos de comunicação, TV, radio e jornais, para opor-se a esse grande poder e arma de guerra que são as corporações privadas da mídia. Os mesmos que inventam mentiras de que Lula não vai de acordo com Chávez, quando na realidade decidiram ver-se a cada 3 meses e, quando por ocasião da assinatura do acordo entre PDVSA-Petrobrás para a construção da “Refinaria do petróleo Abreu e Lima” em Pernambuco, Lula fez declarações de que “Chávez era um grande pacificador”, e disse a Bush: “meu filho, você tem que se virar com a crise no seu país. Não venha a descarregar sobre nós, justo agora que estamos, após 26 anos, pela primeira vez, levando um plano de desenvolvimento econômico”. Os mesmos, como o jornal Clarin, da Argentina, que “informam” que o Brasil faz uma corrida armamentista contra a Argentina, quando, o Brasil e a Argentina estão cooperando na construção de equipamentos, tanques de combate (“El Gaúcho”), e assinando um acordo de desenvolvimento de tecnologia para fabricação de aviões e de um submarino nuclear. Não há como vencer a guerra ao capitalismo sem tomar o poder dos meios de comunicação. Telesur já é uma grande conquista, sem a qual pouco se saberia do ataque ao Equador e do papel pacificador de Chávez no intercambio humanitário na Colômbia; e é preciso seguir reforçando em todos os países a aliança entre os meios públicos, estatais com os meios comunitários para transmitir a verdade dos povos, suas lutas, suas idéias e culturas. É preciso formar um agencia independente de notícias dos chamados países do Sul, e um Foro Internacional de Combate ao Terrorismo da Mídia.

 

Cuba é fundamental neste processo; sem os meios, nem a riqueza petrolífera da Venezuela, mas com o exemplo de sua revolução aguerrida e generosa, com Fidel e a consciência do povo cubano, resistiram ao imperialismo, ajudando todos os países da América Latina e África, com suas dezenas de milhares de médicos em 60 países da América Latina, África e Ásia, formando médicos, brindando Missões Milagres e projetos de alfabetização. Em Cuba se aprofunda a batalha de idéias sobre questões como o melhoramento na agricultura e no abastecimento alimentar. Hoje Cuba já não se encontra isolada como quando da derrubada da Urss; hoje conta com a criação de um Banco da ALBA e a ajuda solidária da Venezuela, do Equador, Brasil, Bolívia, Nicarágua, China, Rússia e Irã e, portanto deve apoiar-se nesse novo processo latino americano para avançar ao socialismo.  Cuba continua sendo o exemplo de como a revolução socialista, as estatizações com poder popular podem eliminar a fome, o analfabetismo, os sem-tetos e gerar um povo culto, com elevados indicadores de saúde e decidido na defesa do socialismo como único caminho de liberação dos povos, custe o que custar. Se estão estabelecendo as condições para uma grande Federação Socialista dos países da América Latina.

 

           

 

 

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