MANIFESTO DE PRIMEIRO DE MAIO DE 2006 DA IV INTERNACIONAL POSADISTA

 

 

FRENTE MUNDIAL DOS POVOS PARA ACABAR COM AS GUERRAS DO IMPERIALISMO!  

FORA O IMPERIALISMO DO IRAQUE! TODO APOIO AO IRÃ, À VENEZUELA, A CUBA E À PALESTINA!

 

FRENTE MUNDIAL DAS MASSAS PROLETÁRIAS E POBRES PARA POR A ECONOMIA E AS RIQUEZAS DA TERRA A SERVIÇO DA HUMANIDADE! 

REFUNDAR A INTERNACIONAL COMUNISTA PARA

O PROGRESSO DE TODO GÊNERO HUMANO!

 

“O socialismo é uma necessidade da organização da vida”, J. Posadas

 

 

            A barbárie natural do sistema capitalista junto a seu desespero de não poder mais se impor no mundo levam ao paroxismo das ameaças abertas do governo Bush dos EUA, seguido pelo presidente Chirac da França, de utilizar as armas atômicas para esmagar o Irã ou todo país considerado “estado terrorista”. A guerra nuclear está na ordem do dia das grandes potências capitalistas como algo normal e inevitável. 

            A humanidade já está cansada de agüentar este sistema e busca todas as maneiras de coordenar-se para uma sociedade superior, para um mundo solidário, para uma utilização inteligente dos enormes recursos naturais da terra que satisfaçam todas as necessidades da população mundial, se colocados a serviço da coletividade através de uma economia mundialmente planificada – e não em função do lucro capitalista. 

            Em amplas camadas da sociedade capitalista e não somente nos setores mais pobres e explorados se eleva a convicção de que o imperialismo e o sistema capitalista estão sobrando, que não podem gerar nenhum progresso, ao contrário, criam obstáculos a qualquer progresso. Nos Estados Unidos, milhões se mobilizaram contra a guerra no Iraque, contra a negligência criminosa do governo Bush frente aos desastres dos furacões em Nova Orleans; outros milhões de imigrantes se mobilizaram para exigir um estatuto de vida digna. Há setores do campo burguês que exigem mudanças profundas; agentes do serviço secreto e da CIA que denunciam a conivência do governo Bush com os ataques à torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 para justificar a guerra ao “terrorismo”; revelando o caráter de um auto-atentado,  cientistas e artistas denunciam a corrida louca do imperialismo à guerra atômica. 

            Neste Primeiro de Maio, saudamos com toda alegria e emoção este levantamento do povo norte-americano que mostra toda sua sensibilidade à luta das massas do resto do mundo e, particularmente do Iraque, do Oriente Médio e da América Latina. 

            A América Latina surge como um potente elemento de unificação deste processo revolucionário e mundial, e se está aproximando a enorme tarefa de importância histórica de responder à necessidade imperiosa de construção de uma nova direção revolucionária mundial que torne possível colocar a re-fundação da Internacional Comunista de Massas. Se, por toda uma etapa histórica, a crise da humanidade foi a “crise de suas direções”, o processo de fusão da revolução cubana com a revolução bolivariana da Venezuela surge como a mais profunda possibilidade atual de construí-las. Isto é produto de uma nova direção, Hugo Chávez, que declara sua plena identificação com Cuba e coloca já com insistência a necessidade de construir-se o “socialismo do século XXI”. Essa não é uma simples declaração; está acompanhada do chamado de Frente Única mundial antiimperialista, de uma campanha permanente para converter as reuniões do Fórum Social Mundial em momentos de organização da luta e anti-capitalista. Hugo Chávez atua concretamente junto aos novos governos e processos de unificação latino-americana para fortalecer a Comunidade Sul-americana das Nações com caráter antiimperialista e social, exigindo dos governos compromissos de transformação social. 

            A aliança Cuba-Venezuela, as experiências revolucionárias em curso no âmbito da ALBA - Aliança Bolivariana das Américas - as conquistas e os êxitos das iniciativas destes dois países, promovendo iniciativas como a “Operação Milagre” operando em Cuba e gratuitamente para milhares de latino-americanos pobres com enfermidades na vista, e a alfabetização, integrando suas economias em função não de interesses econômicos, mas estratégicos e de transformação da vida das populações, a sólida aliança inclusive militar que vai se estruturando com o Estado operário, e sua constante e crescente intervenção em direção a experiências revolucionárias no mundo, o chamado na defesa de Irã e contra a guerra do Iraque, o apoio aberto ao processo das eleições de Evo Morales na Bolivia e Ollanta Humala no Peru, a intervenção dirigida às massas dos Estados Unidos com chamados a rebelar-se contra o império, com a ajuda em combustíveis baratos para o aquecimento nas casas pobres, a ajuda às vítimas do furacão; tudo isso, rompendo com todas as hipocrisias diplomáticas, é um exemplo de construção da Frente Única antiimperialista e de uma audácia histórica que terá êxito e se estenderá em todo o mundo. Já não se trata simplesmente do nacionalismo revolucionário. Esta nova direção já surge em simbiose com a experiência socialista que melhor sobreviveu à crise dos Estados operários, e que está permitindo a discussão mais elevada para a retomada da Internacional Comunista e a unificação das lutas de todos os povos. Fidel Castro assume publicamente a análise feita sistematicamente por J. Posadas perante os partidos comunistas, e que marcou uma época histórica, sobre os militares nacionalistas revolucionários, e pela primeira vez reivindica o papel de Perón, Árbens, Gaitán, Velasco Alvarado, Torrijos, Cárdenas e até Luis Carlos Prestes. O Estado operário reconhece pela primeira vez que do nacionalismo revolucionário pode-se passar ao socialismo. Ao mesmo tempo, e dialeticamente, surge um elemento importante de regeneração e de salto em frente do Estado operário que, por meio da Venezuela, rompe o isolamento, se fortalece e se projeta no panorama mundial. 

            Esta unificação entre os processos revolucionários mais avançados da América Latina como são Cuba e Venezuela e, agora Bolívia, permitiu arrastar más à esquerda os outros países, como Argentina, Uruguai, Peru, mesmo o Brasil e o Chile, colocando na ordem do dia a nacionalização dos principais recursos, a água, o petróleo, o gás, a terra, os minerais e a utilização destas riquezas em benefício das populações ao invés de aumentar os lucros das multinacionais. Os laços econômicos e culturais se constroem cada vez mais firmes em direção a uma integração latino-americana. Este processo influencia profundamente o povo norte-americano e dá confiança para enfrentar o governo imperialista mais potente do mundo. 

            Por sua vez, os povos do Oriente Médio e, particularmente do Iraque, da Palestina e do Irã, têm ajudado a debilitar enormemente o imperialismo norte-americano e seus aliados europeus e israelenses. Três anos após a invasão do Iraque pelas forças de aliança imperialista, não conseguiram impor um governo dócil para a população iraquiana, nem recuperar os benefícios da exploração do petróleo. Elas trouxeram somente o caos, massacres e a divisão do país. A resistência do povo iraquiano é imensa e conta com o apoio de todos os povos do Oriente Médio. O povo palestino atua da mesma maneira, tendo que viver nas piores condições materiais, como refugiados na sua própria terra há mais de 50 anos, sem um Estado, sem economia, sem trabalho, mas resistindo ao exército de Israel, super-armado pelos EUA e possuidor das únicas armas atômicas presentes nesta região do mundo. As massas da Síria, do Líbano e do Irã também resistem. 

            No Irã, a eleição do novo presidente Ahmadinedjad representa um avanço e uma conquista das massas populares. As ameaças da guerra, inclusive nuclear, do imperialismo não insurgem diante de um concorrente que busca possuir armas atômicas, mas sim diante de uma nova revolução social em marcha no Irã, de novas forças políticas que se propõem a impor a soberania de suas riquezas petrolíferas, a re-nacionalizar o petróleo e utilizar os lucros para elevar a vida das massas mais pobres. No Oriente Médio se coloca a mesma necessidade e possibilidade da unificação antiimperialista que na América Latina. E não basta a frente antiimperialista: é necessária a unificação econômica também; uma planificação dos recursos petrolíferos, do gás e outros para tirar do atraso todos os países da região. Incluir numa Federação de todo o Oriente Médio, tanto o Estado Palestino como Israel, países árabes e persianos, colocando sob controle estatal e popular os principais recursos econômicos. 

             Há uma unidade no mundo, acima das segregações religiosas, étnicas ou chamadas culturais, que tem se expressado nas mobilizações universais contra a guerra ao Iraque. Estas mobilizações continuam, mesmo neste terceiro ano da ocupação deste país pela Coalisão dos imperialistas americanos, ingleses e seus aliados. À palavra de ordem de “fora as tropas do Iraque” se agregou a de opor-se a toda tentativa de guerra contra o Irã. A busca desta unidade se expressa também na continuidade dos foros sociais mundiais que incorporaram pela primeira vez a África; o FSM teve lugar no Mali. Do Egito, à Libia, ao Sudão, Nigéria, Namíbia, Zimbawe à África do Sul, em todo o continente africano se elevam as lutas para não suportar mais o poder das potencias imperialistas, disfarçado em missão pela democracia, liberalismo econômico e ingerência humanitária. 

            As massas do mundo não foram esmagadas pela queda do campo socialista, pela desintegração da Urss, pela ruptura dos governos dos ex-países socialistas com a solidariedade mundial, pela virada da China, do Vietnã no rumo de um chamado “socialismo nacional”. Isso se expressa particularmente nos ex-países socialistas da Europa: Polônia, Hungria, Tchecoslováquia  Romênia, Alemanha, as sereias do grande capitalismo europeu estão gritando de maneira estridente e se estão convertendo em monstros. Na Europa capitalista, as massas não querem pagar o preço da ampliação da União Européia. Os levantes massivos na França, na Alemanha, na Bélgica, na Inglaterra, na Itália e na Espanha se sucedem. Enterraram a Constituição européia com os votos negativos da França e da Holanda; estão paralisando a aplicação da diretiva Bolkenstein. 

            Cada vez mais o poder capitalista tem que atacar suas próprias leis de democracia burguesa, em nome da luta anti-terrorista está destruindo suas próprias bases. Cada vez há menos estado laico, menos liberdade de pensar e expressar-se individualmente, menos pluralidade informativa, confusão de poderes, independência do poder judicial, legislativo, executivo; aumento de poderes policiais, junto com a concentração de poderes militares sob o comando dos grandes países capitalista na OTAN. 

            É uma cadeia que vai desde o levante dos bairros pobres da França, à greve geral contra as leis que visam a insegurança maior nos direitos de trabalho e seguro social, à greve geral dos serviços públicos na Inglaterra que está rompendo as travas da época da Tatcher e corroendo todo o conto da terceira via de Blair e da social-democracia britânica e européia. Milhões de trabalhadores de todos os países da Europa se mobilizaram contra as diretivas da Comissão européia. Particularmente a greve européia dos trabalhadores dos portos conseguiram tirar uns dentes à Bolkenstein. 

            A mobilização em massa dos imigrantes clandestinos em vários países da Europa reivindicando documentos e trabalho torna-se possível porque conta com a simpatia e a solidariedade dos trabalhadores destes países. Assim como na Bélgica são os sindicatos que dão os primeiros “documentos” aos clandestinos, com a carteira sindical. 

            A oposição às políticas liberais - mesmo aplicadas por direções sociais ou ecologistas, que se expressava políticamente nas abstenções eleitorais massivas, desde a Espanha até a fronteira da Russia, se está convertendo na busca de organização, particularmente nos movimentos sindicais, para impedir todo retrocesso nos direitos sociais, nas conquistas sociais da classe operária, e na oposição ou resistência passiva aos planos de guerra dos governos europeus que não têm nada que invejar ao imperialismo norte-americano. 

            Nesta situação, o capitalismo europeu necessitaria de partidos e governos fascistas para defender seus interesses. A única coisa que conseguiu foi um palhaço como Berlusconi, que já foi derrotado nas últimas eleições, ou antes, um fantoche com Haider na Áustria. Na Ucrania, em um ano murchou a revolução laranjada (fascista), na Polonia estão à cabeça do estado os dois irmãos; na Alemanha, a Merkel substitui a falta de forças socias, pelos aparatos policiais, militares, pela concentração militar, pela OTAN.  

            O retrocesso dos países socialistas deu um golpe nas massas européias também, mas não chegou a dar qualquer tipo de confiança no regime capitalista. Pelo contrário, se eleva a desconfiança nas direções políticas supostamente de esquerda, o sentimento anti-burocrático, e a necessidade da participação das massas, da classe operária, camponeses pobres, estudantes, jovens e velhos, intelectuais e manuais, técnicos e artistas, em toda a organização da sociedade, controle popular. Não foi o programa do Estado operário que falhou, mas sim a direção burocrática. 

            As direções socialistas, sindicais, ou ex-comunistas, não apresentaram tampouco uma alternativa na Europa. Blair revelou a que fim leva a chamada “terceira via”: ao neo-liberalismo e terrorismo total. Todos terminam submetendo-se à crise capitalista e ao fazer a chamada política do “mar menor”. Com este mal menor, estão aceitando cada vez mais o pior: dizem estar contra a guerra no Iraque, mas continuam com a OTAN e a expansão da guerra a todos os continentes; dizem estar pelos serviços públicos na Europa e empresas públicas fortes, mas deixaram-se invadir pelas privatizações avassaladoras de todos os setores econômicos e serviços chaves para o povo. Foi a resistência muito forte dos trabalhadores que impediu até agora danos maiores e não a política das direções. Há condições sociais muito favoráveis para construir um a frente européia dos sindicatos, partidos de esquerda para uma mudança radical, propondo medidas de seguro social européias, planos econômicos públicos europeus que garantam um trabalho para todos, digno e seguro. Pode-se mudar todas as alianças econômicas, políticas, militares, atuais da União Européia, unindo-nos entre os trabalhadores e a população pobre da América Latina, do Oriente Médio, da África, da Ásia, apoiando-se nos Estados revolucionários, no que resta dos Estados operários, seja na Rússia, seja na China. 

            A IV Internacional Posadista chama a uma frente única mundial dos partidos comunistas, socialistas, sindicatos, movimentos nacionalistas revolucionários, movimentos religiosos antiimperialistas, movimentos militares nacionalistas, movimentos sociais contra toda nova tentativa de guerra, nuclear ou não, do imperialismo, norte-americano como europeu. Apoiamos todos os chamados da direção da Revolução Bolivariana da Venezuela à juventude, aos sindicatos, às organizações de massas, a passar a um nível superior de organização e centralização mundial das lutas com o programa do socialismo, contra a guerra e contra o imperialismo. Chamamos a debater a re-fundação da Internacional Comunista para unir a luta contra a guerra ao programa mundial de transformações sociais para colocar todos os recursos econômicos, sociais, científicos a serviço da humanidade.

 

  


Voltar para página inicial