O sistema capitalista se
concentra para lançar a guerra contra a humanidade
No
mesmo momento que as Nações Unidas e os próprios
órgãos dos grandes países capitalistas advertem
sobre o perigo do « tsunami da fome” que se voltará
contra o mundo e lamentam a falta de recursos para enfrentar a
adversidade, os grandes países capitalistas se reúnem na
cúpula da Otan para dedicar outros bilhões de
dólares para a sobrevivência armada do sistema, ou
através das grandes instituições financeiras
internacionais destinam somas incríveis para manter o sistema
bancário internacional que, apesar dos imensos lucros obtidos
nos últimos anos, se declara insolúvel frente ao
crescente endividamento de massa.
O sistema
capitalista, arrancando-se todas as suas máscaras, e descobrindo
suas piores intenções, enfrenta a sua fase final de
existência concentrando todas suas energias na
preparação da guerra para derrotar a resistência
mundial das massas. Mais militares e armas no Iraque e no
Afeganistão, o escudo anti-missilístico, planos para o
emprego preventivo de armas atômicas táticas contra os
chamados « terroristas » em qualquer parte do mundo. Os
centros mundiais do imperialismo descarregam suas crises
econômicofinanceiras sobre as massas. Nos EUA cada cidadão
paga 20 mil dólares ao ano pela guerra no Iraque. Os
milhões de pessoas que perderam sua casa também. Em todo
o mundo capitalista, mesmo nos países mais ricos, as grandes
massas são cada vez mais pobres. A chamada classe média
se aproxima do « limite da pobreza ». Quanto mais o sistema
capitalista perde sua base social de apoio, mais se concentram os
recursos militares no intuito de salvar-se. Uma pequena cúpula
do sistema capitalista busca concentrar o comando mundial. Esse
é o fascismo de hoje: meios militares exorbitantes e riquezas
enormes concentradas em poucas multinacionais, sem nenhuma base social
de apoio. Esta cúpula já decidiu passar por cima da ONU;
governa através de um poder mundial paralelo aos estados, aos
parlamentos, por meio de exércitos de mercenários
internacionais e armas sofisticadas, como última forma de salvar
a acumulação do poder e dos lucros. Por outro lado, essa
reação é conseqüência do amadurecimento
do mundo, pronto para se desfazer desta casta incapaz de promover o
menor progresso social, alheia à humanidade. Ao mesmo tempo, os
partidos comunistas e socialistas, as grandes centrais sindicais dos
países capitalistas se demonstram incapazes de rebater a
política do grande capital. Com a recente derrota eleitoral do
partido da Refundação Comunista e a sua inútil
aliança “Arco-íris”, na Itália se
esfuma a enésima ilusão eleitoreira da esquerda: no
parlamento, depois de mais de cem anos, desapareceram completamente os
representantes comunistas e socialistas. Depois, estão as
derrotas dos comunistas na França, Espanha e Grécia,
todos eles reduzidos a porcentagens que vão de 1 a 3,5% dos
respectivos eleitorados. As eleição, os distintos
sistemas que as regulamentam país por país, não
servem para reconhecer a verdadeira relação de
forças entre as classes. Por exemplo, faltam na Itália e
nos demais países, a opinião e o voto de milhões
de trabalhadoras e trabalhadores estrangeiros, que produzem a maior
parte das riquezas. Mas, de todo modo, a redução dos
votos destes partidos coloca na ordem do dia a necessidade de limpar os
aparatos dirigentes conciliadores. São 3,7 milhões de
votos perdidos (sobre cerca de 4 milhões), que em parte
são recuperados nas eleições administrativas,
demonstrando claramente que a crítica de massa é a
política do aparato irigente, enquanto que os quadros e
ativistas no território são os que tem a autoridade de
manter a adesão popular ao partido.
As massas demonstram que o mundo está apto para o socialismo
Desde
os lugares mais longínquos, insólitos e até
distantes do poder do grande capital, se expressam propostas e
intenções de superar as ondições de
pobreza e sofrimento social com formas solidárias, alternativas
e socialistas. Não existe ainda a organização
mundial de uma direção para unificar todas essas vontades
e experiências dos povos, mas aumentam as expressões de
amadurecimento das massas do mundo e as novas direções
revolucionárias que se cimentam em formas diversas de
enfrentamento ao capitalismo e ao imperialismo. Pela primeira vez na
história da Bolívia e do Irã seus presidentes se
encontram e realizam acordos de estado a estado para o benefício
recíproco dos seus povos. O pequeno povo de Nepal com
um partido comunista majoritário no parlamento e no
governo, derruba uma monarquia completamente fora de época. Na
Suíça, que é o cofre e o refúgio das
finanças mundiais, os operários ferroviários de
Belizona arrastam consigo todos os habitantes da cidade (20 mil) e das
comunidades limítrofes, numa luta que após um mês
de ocupação impede o fechamento e a
privatização do estabelecimento. E além disso,
recuperam o papel do “piquete” participado com os
operários, mulheres e crianças que, impõem
“à antiga” o respeito das decisões das
assembléias.
As ondas
rebeldes e a necessidade do socialismo percorrem velozmente o mundo e
se põem em comunicação estreita. Esta
consciência social das massas se expressa também nos EUA,
no apoio que encontra a candidatura de Obama que defende
mudanças sociais radicais, na persistência das
mobilizações contra o Iraque e, particularmente, na
aproximação entre os movimentos pacifistas e sindicatos
colocando a necessidade de terminar
com a indústria da guerra e reconverter a economia de guerra a
uma produção que beneficie os bens de consumo da
população.
A ALBA e a integração dos povos rumo a uma Federação Socialista dos países da América Latina
O processo de
rebelião contra a dominação
econômico-militar imperialista dos EUA, do neoliberalismo,
manifestado no recente levante dos povos e no surgimento de novos
governos populares de esquerda na América Latina, se propaga
como uma grande onda e retoma as bandeiras do nacionalismo, de
Perón, de Vargas, de Torres, de Gaitan e Sandino e, o que
é mais importante, consolidando-se numa integração
e coordenação bolivariana dos países como jamais
visto no continente.
Isso, inevitavelmente leva a
ações desesperadas e de guerra do império
capitalista. O bombardeio da Colômbia contra as FARC violando as
soberania do território do Equador, sob o comando
norte-americano, teve o objetivo de impedir a
pacificação, a solução política e o
intercâmbio humanitário na Colômbia, mas sobretudo,
o avanço da coordenação antiimperialista
latino-americana centralizado pelos governos revolucionários da
Venezuela e Equador na região.
O imperialismo
não vai deter a guerra e preparará outras
provocações ou ataques. Mas, é um acontecimento
histórico para a América Latina dos últimos anos a
intervenção aberta e antiimperialista dos governos como o
de Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Cristina Kirchner, Ortega
e também Lula nos organismos e cúpulas internacionais. O
fracasso político do império e seus lacaios como a
sinistra “viajante da morte”, Condoliezza Rice, em visita
ao Brasil é notável. O Ministro da Defesa brasileiro,
Nelson Jobim, declara nos EUA apoio aos presidentes da Venezuela e
Equador desmentindo suas alianças com a guerrilha colombiana e
reiterando a posição do governo brasileiro pela
criação de um Conselho de Defesa Latino Americano, que
representa uma não submissão ao papel imperialista dos
EUA na América Latina. Na América Latina renasceu os
espírito de solidariedade, a cooperação, a
integração, os intercâmbios em todos os
níveis, em todas as cúpulas e reuniões regionais.
No Equador o
processo impõe uma Constituinte, refletindo uma
combinação entre o governo e forças
revolucionárias para partir dosníveis mais
avançados. Por isso, Rafael Correa na sua viagem ao
México propõe a integração de Cuba, para
pagar uma dívida social com quem resistiu ao bloqueio para
manter a proposta do socialismo que se estende através dos novos
governos de esquerda na América Latina. Dessa forma Correa
integra o povo mexicano, a sua revolução mexicana de
1911, o nacionalismo revolucionário de Cárdenas como os
precursores das lutas pela construção do socialismo que
toma corpo hoje na América Latina.
O Conselho de Defesa Latino Americano
é um elemento importante entre as conquistas integradoras que
afirmam a soberania dos povos na América Latina, seja no plano
econômico, cultural e comunicacional: a ALBA, o Mercosul, o Banco
do Sul, o Banco da ALBA, a Telesur, a Universidade do Sul e o Gasoduto
do Sul, que já são projetos em marcha. A defesa militar
unificada dos recursos naturais e energéticos do país,
das terras dos camponeses pobres e indígenas, dos meios de
produção da classe trabalhadora, dos mineiros, dos
centros estudantis e de cultura nacionais, é junto ao povo
organizado nos seus sindicatos, partidos revolucionários de
massas, uma necessidade estratégica para completar o ciclo de
defesa da revolução socialista no continente. É
importante criar uma força militar ligada estreitamente ao
objetivo político de transformação
revolucionária que se estende no continente. No exército
imperialista imperam a droga e o suicídio (no Iraque é a
principal causa de morte nas tropas) e a ausência de
motivação é compensada com tropas especiais
privadas. O exército revolucionário deve ser um
instrumento na solução dos problemas das grandes massas
operando conjuntamento, construindo novas relações
sociais. Assim se está fazendo na revolução
venezuelana: aliança
operária-camponesamilitar.
O processo na
Venezuela é um exemplo e um laboratório. Ao mesmo tempo
em que é motor, junto a Cuba, do internacionalismo e da
solidariedade com outros povos (os acordos econômicos,
energéticos, as missões médicosanitárias,
etc...), avançou nas suas medidas econômicas internas
aprofundando as estatizações e
nacionalizações como na indústria do cimento
Sidor, na telefonia e criando empresas estatais para a
produção de alimentos, tratando de responder à
arma do desabastecimento imposto pela oposição burguesa.
Em todos os processos da América Latina se coloca a necessidade
de construir um Partido Unificado Revolucionário de Massas como
na Venezuela para avançar do governo ao poder. Ganhar o
exército e construir o Partido de massas. São duas
tarefas centrais na Venezuela para impedir um novo Chile e bloquear as
tentativas do imperialismo contra Chávez e a
revolução bolivariana.
Cuba é
fundamental neste processo; sem os meios, nem a riqueza
petrolífera da Venezuela, mas com o exemplo de sua
revolução aguerrida e generosa, com Fidel e a
consciência do povo cubano, resistiu ao imperialismo, ajudando
todos os países da América Latina e África, com
suas dezenas de milhares de médicos em 60 países da
América Latina, África e Ásia, formando
médicos, brindando Missões Milagres e projetos de
alfabetização. Em Cuba se aprofunda a batalha de
idéias sobre questões importante como o melhoramento na
agricultura e no abastecimento alimentar. Hoje Cuba já
não se encontra isolada como quando da derrubada da Urss; hoje
conta com a criação de um Banco da ALBA e a ajuda
solidária da Venezuela, do Equador, Brasil, Bolívia,
Nicarágua, China, Rússia e Irã e, portanto deve
apoiar-se nesse novo processo latino americano para avançar ao
socialismo. Cuba continua sendo o exemplo de como a
revolução socialista, as estatizações com
poder popular podem eliminar a fome, o analfabetismo, as enfermidades,
os sem-tetos e render um povo culto e decidido na defesa do socialismo
como único caminho de liberação dos povos, custe o
que custe. Se estão estabelecendo as condições
para uma grande Federação Socialista dos países da América Latina.
A crise do capitalismo mundial e a incapacidade do capitalismo de apresentar uma perspectiva de progresso
O
capitalismo foi incapaz de oferecer alternativas que afirmassem
retrocessos mais profundos nos velhos Estados operários. Muito
pelo contrário, a superioridade de uma economia estatizada e
planificada, assim como a sua relação antagônica
com a estrutura do mercado mundial capitalista, que empurram tanto a
Rússia como a China na retomada de medidas para defender e
restaurar o Estado operário e unir-se aos outros países
para defender-se contra o imperialismo mundial.
A chama
olímpica que percorre o mundo, apesar de todas as manobras
provocadoras dos governos dos EUA e europeus, expressa também
como as massas compreendem a superioridade do Estado operário
sobre o sistema capitalista. Ninguém aceita que um Tibet
independente, seja um
progresso em relação à China. Foi a
revolução socialista chinesa que derrotou o feudalismo
nas suas formas mais atrasadas e que permitiu a existência digna
do povo do Tibet. A autonomia solicitada pelo povo tibetano só
pode ser alcançada lutando com o conjunto do povo chinês
para restabelecer as formas democráticas soviéticas que
reconstruam a estrutura do Estado operário retomando a
tradição e a experiência de Mao e a
revolução cultural, derrotando os setores
reacionários e aproveitadores da sua direção. A
experiência da Iugoslávia é uma
demonstração do que o capitalismo mundial entende por
respeito às minorias e à
“autodeterminação”. Desmembraram um
país que era um exemplo de convivência, criaram um
estado-OTAN no Kossovo, dirigido pelos potentes criminais de guerra e
mafiosos. O Oriente Médio, onde o capitalismo tem a
possibilidade de decidir através do seu sócio maior,
Israel, não concede o mínimo direito ao povo palestino: o
reprime, rouba, destrói casas e cultivos, lhe impede acesso
à água e a todos os
recursos. Até o Dalai-Lama percebe que como aliado dos yanques
(de quem recebeu financiamento) não terá grandes
possibilidades de “auto-determinar”, é por isso que
toma em público distância dos grupos provocadores
financiados pela CIA.
Em
todos os países europeus, levanta-se o rechaço das massas
que não querem pagar a crise do sistema capitalista.
Por isso, o
novo Tratado Europeu se está adotando às escondidas,
assim como as crescentes contribuições dos governos
europeus às ações da Otan como carrascos do mundo.
O descontentamento é muito profundo e falta pouco para grandes
mobilizações a nível de todo o continente. As
direções sindicais e políticas de esquerda as
contêm, temerosas de toda mudança radical. Os sindicatos
europeus reúnem dezenas de milhares de trabalhadores na
Eslovenia para pressionar a Comissão Européia com o
pedido de um salário digno para todos na Europa, sem fazer a
menor mobilização. Mas são milhões e
milhões que é possível mobilizar hoje por
salários e condições de trabalho dignos e
paritários: o mesmo trabalho
realizado na Alemanha e na Rumênia deve ser pago igualmente. Essa
é a Europa Unida! Se em um pequeno lugar da Suíça,
600 operários encontram a força de ocupar sua empresa
durante meses, na defesa do posto de trabalho, pedindo a
intervenção do estado para planificar as ferrovias,
não somente da Suiça, mas de todos os outros
países vizinhos, mostra que se pode lançar uma luta comum
e geral pela defesa dos serviços públicos, as
estatizações, a planificação
econômica em benefício das populações e a
escala móvel de salários. Enquanto o capitalismo usa o
estado e os recursos das massas para socorrer os Bancos que obtiveram
lucros astronômicos especulando com a economia virtual, a classe
operária reclama intervir no desenvolvimento tecnológico,
na manutenção das estruturas produtivas e na
criação dos novos postos de trabalho. Na própria
Alemanha capitalista, aparentemente parada, há um vaso
comunicante com o processo anticapitalista mundial, expresso na fala do
deputado da SPD, Oskar Lafontaine : «não devemos
nacionalizar somente as indústrias das armas, mas também
as indústrias financeiras e energéticas e, por isso,
admiramos as decisões de Chávez na Venezuela. Além
disso, necessitamos nos sistemas capitalistas também da
democratização dos meios de
comunicação»
É
preciso unir todas as lutas dos povos do mundo em uma só frente
contra o imperialismo e a guerra, no rumo ao socialismo.
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Romper com os acordos e tratadosinternacionais que favorecem as multinacionais e as forças reacionárias e guerreiras.
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Unir os Estados revolucionários, da UNASUR, da
África, da Ásia e do mundo com a China, Cuba e
Rússia para uma planificação comum das
necessidades das populações
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Unir os partidos de esquerda e
sindicatos dos países capitalistas para elaborar esta
planificação mundial da economia e impor as
transformações socialistas em benefício da
humanidade
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Contra a proliferação das bases yanques e da
Otan na Europa e no mundo e o escudo antimíssil contra os
países do Leste Europeu
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Contra as ameaças de invasão ao Irã, pela retirada
imediata das tropas invasoras do Iraque e pela Federação
Socialista dos países do Oriente Médio.
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Frente única mundial em defesa do povo da Palestina contra as agressões imperialistas de Israel
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Solidariedade com Evo Morales e o povo boliviano contra a “autonomia” contrarevolucionária da burguesia industrial e da oligarquia separatista.
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Pleno apoio aos movimentos pacifistas, antiracistas e anticapitalistas do EUA
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Por um Fórum Latino-Americano e Mundial contra o
terrorismo midiático das grandes corporações
fabricantes de guerra, pela democratização dos meios de
comunicação e pela defesa dos meios comunitários e
públicos nos diversos países.
-
Por uma Internacional Comunista de todos os povos.
IV Internacional Posadista
1° de maio de 2008