A necessidade de uma nova lei sobre o aborto e a inútil viagem do Papa ao Brasil

 

O Papa Bento XVI, o indisfarçável cardeal Ratzinger, inquisitor dos irmãos Boff e dos padres brasileiros da Teologia da Libertação, chegou ao Brasil como embaixador das piores forças conservadoras do imperialismo, para conter a atuação do clero progressista no Brasil e usar o poder do Vaticano para conter a vontade transformadora das massas católicas pregando a resignação e a submissão ao poder da Igreja.

Sua presença, entretanto, caiu no esquecimento antes que seu avião aterrisasse em Roma. Não foi capaz de reunir as multidões que o Papa Woytila havia conseguido. Não foi capaz de dar uma idéia sequer para intervir nas soluções para as questões sociais prementes que afligem os povos da América Latina, ao contrário, ignorou o sofrimento dos mais pobres, e mentiu ao declarar que os indígenas não foram catequizados à força, mostrou-se indiferente ao sofrimento das mulheres obrigadas à opção pelo aborto, e reduziu todos os problemas do mundo ao cumprimento estrito da sua versão conservadora da liturgia católica.

Entre os problemas ignorados, está a existência de 1 milhão de mulheres e adolescentes, sobretudo das camadas mais pobres da população, que se submetem a abortos a risco a cada ano, fora do controle e da assistência do sistema sanitário nacional; enquanto que, por outro lado, as mulheres das famílias com alto poder aquisitivo recorrem igualmente ao aborto, engordando o caixa de centenas de clínicas privadas com maior poder de extorsão devido à ilegalidade formal.

As declarações do Ministro Temporão e do próprio Lula qualificando o aborto como questão de saúde pública é um exemplo do desentendimento até mesmo a nível diplomático com o Vaticano nessa questão, como também no rechaço à reintrodução do ensino religioso obrigatório.

O aborto é uma questão social; é absurdo não garantir as mínimas condições de sobrevivência, de trabalho e de educação, e criminalizar, ao mesmo tempo, as mulheres de um país onde 90% estão abaixo das possibilidades mínimas de sobrevivência, falando hipocritamente de "vidas humanas". Os inimigos da vida humana são aqueles que benzem as armas e os mísseis da guerra imperialista no mundo, e usam a religião como ópio do povo e não como elemento de estímulo à fraternidade, de amor aos pobres, como o fazem os padres brasileiros ligados às causas sociais, à Pastoral da Terra, e mesmo à própria CNBB. Atentado à vida é reduzir a idade penal aos jovens marginalizados e despojados do direito a uma vida digna e feliz.

Finalmente o governo intervém para ajudar as camadas mais pobres na planificação familiar, tratando de romper o monopólio da indústria multinacional dos remédios. É preciso também conquistar uma lei que assegure a proteção do Estado à mulher, como em Cuba, ou mesmo em países mais avançados do capitalismo onde esse direito foi imposto com a luta das mulheres, dos movimentos feministas, socialistas, comunistas, católicos progressistas, como um elemento de respeito à dignidade humana. Os hospitais públicos devem garantir gratuitamente a opção consciente da mulher e dos casais pelo aborto.

 

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