Este 1º de Maio de 2006

 

Já não vai ser aquele desfile
de milhares e milhões
com tantos idiomas,
crenças e religiões
que marchavam pelos caminhos do mundo,
gritando suas penas,
recordando os seus mártires,
de todos os tempos:

Espártacos de Roma,

Espártacos de Chicago,
do Vietnã, da Espanha Miliciana,
dos comuneiros da França,
da América Latina,
da África ainda não resgatada.
A marcha é outra. 

São falanges de operários,
camponeses, estudantes
e de todos aqueles 
que amam a vida,
que recolheram seus sonhos
e estão buscando o monstro,
o mais monstruoso
de todos os tempos. 

Neste 1o. de maio,
iraquianos e palestinos,
europeus
do Leste e do Oeste
e milhares de judeus
que repudiam o vil genocídio
da velha e eterna Palestina,
centenas de milhares de americanos,
e o oriente que traz consigo a alvorada
e os povos latino-americanos,
o mundo está invadido por partisãos,
que vivem a glória dos bolivarianos
e dos cubanos,
que estendem seus braços,
oferecendo flores,
oferecendo saúde,
oferecendo livro,
oferecendo fuzis
e o sangue de irmãos.
São soldados revolucionários
dispostos a proporcionar 
um mundo unido
para enfrentar
os autênticos “terroristas”, “assassinos”, 
patrocinadores da “droga”,
que não reconhecem direitos nem fronteiras.
Soldados e milicianos cruzarão os montes,
os rios, os mares e as gretas,
arrebentando as armas nucleares
nas suas próprias trincheiras,
nas suas nefastas garras.
 

Assim, já se vislumbra este 1o. de Maio,
confiantes na batalha,
mas plenos de amor fraternal humano,
esse é o lema da história,
com ela vamos
limpar o horror das ervas daninhas,
a gozar do céu azul,
do canteiro de sempre vivas,
do gorjeio dos rouxinóis,
da natureza redimida,
do abraço que envolve nossos corpos,
e as crianças sem fome,
cantando e comemorando
o despertar consciente da humanidade

 

Daniel Malach

25 de Abril del 2006

  


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