
Porque "Revolução socialista"
Este
jornal pretende dar continuidade a uma tarefa, nunca interrompida, levada
adiante pela IV Internacional Posadista no Brasil, através do Jornal Frente
Operária, de contribuir para a formação de uma direção que compreendesse a
importância e a vigência do programa e dos objetivos do socialismo como única
via para a libertação do seu povo do jogo do capitalismo, capaz de organizar a
população explorada, e consequentemente disposta a empreender uma ação
necessariamente revolucionária.
Esta
tarefa expressou-se em ações e protagonistas, desde a presença física de
J.Posadas no Brasil, à organização da Seção Brasileira da IV Internacional, à
intensa atividade no movimento camponês dos 60, e no movimento sindical e
estudantil por todas estas décadas. Nossos camaradas Jeremias, Olavo Hanssen e
Sidney Fix Marques, Ruy Oswaldo Pfutzenreuter, assassinados em plena atuação
como organizadores revolucionários nos momentos altos de luta contra a opressão
capitalista e a ditadura militar, são o nosso testemunho mais forte, além da
infinidade de militantes presos, torturados, perseguidos, como o foi toda a
vanguarda revolucionária do país, e nela plenamente integrados.
O
trabalho persiste de organização e difusão das idéias marxistas e do pensamento
posadista foi levado adiante pelo Jornal frente Operária, editado desde 1953 até
1971, e mantido em circulação em todas as circunstâncias mais difíceis da
repressão e da perseguição. Recordamos em com particular emoção o camarada Rui
Oswaldo por isto deu a própria vida, tentando avisar da chegada da polícia aos
camaradas do "aparelho técnico" que imprimiam clandestinamente o jornal. Tudo
podia passar, mas a imprensa posadista sempre renascia, porque o nosso sempre
foi um movimento que tinha e tem idéias úteis, necessárias, eficientes
ferramentas de trabalho que representam um bem público para o desenvolvimento e
o crescimento de toda a vanguarda revolucionária e não de uma facção.
Esta
atividade mudou de forma, nos anos 80 e 90 com a nossa participação como
Corrente Posadista do Partido dos Trabalhadores. Como co-fundadores deste
partido, participamos e militamos para afirmar as mesmo idéias, programas e
princípios, adaptando-os e tratando de acompanhar o curso da evolução histórica
mesmo nas condições mais difíceis como aquelas criadas pela dissolução da União
Soviética e do chamado bloco socialista. Trata-se da circunstância histórica
mais difícil, aquela onde aparentemente os fundamentos teóricos políticos e
programáticos do marxismo são colocados em cheque mate, e toda e qualquer
organização revolucionária se submete a um severo exame da história. Pois saímos
desta prova de cabeça erguida, como também um número crescente de setores da
vanguarda mais ou menos conscientes, e sobretudo uma massa humana enorme que
resiste e ergue novamente a cabeça frente às bárbaras conseqüências do
predomínio quase global do capitalismo.
Dizemos "quase global" pois estamos convencidos que no globo uma
parte consistente da humanidade resiste de forma organizada, em Cuba em primeiro
lugar, na China Popular, no Vietnã, mas também em todos os países ex-socialistas
e nos movimentos e partidos do Ocidente. Interpretamos e estamos convencidos que
toda a experiência de tipo socialista e comunista permanece como uma gigantesca
memória histórica e não só, é mais que isso, um elemento de experiência social
indelével para milhões de pessoas no mundo. A introdução da barbárie capitalista
nos países ex-socialistas começa a ser compreendida como uma lição brutal, e
estas populações começam a reagir, a estruturar instrumentos (velhos ou novos
que sejam) para fazer frente a isto mesmo as populações do Ocidente capitalista
sentiram na própria carne as conseqüências da derrota, quando iniciou-se o
grande ciclo da destruição das conquista sociais, conquistas que na realidade
eram o reflexo direto da presença do socialismo organizado em forma de países no
mundo. Que fosse "distorcido" ou "burocrático", não há dúvidas. O posadismo
jamais se cansou de advertir sobre isto, e dedicou sua atividade à correção dos
aspectos degenerados, à revitalização do pensamento marxista e revolucionário, à
construção de novas direções. Não vencemos, mas tampouco fomos derrotados: a
História indicou que tínhamos razão, e conosco toda a vanguarda revolucionária
que hoje mantém a confiança na luta contra o capitalismo.
Daí
"Revolução Socialista": não somente porque os adjetivos do socialismo estão
completamente vigentes, mas também porque para chegar a ele não há outra via que
a revolução. Sabemos que revolução não se programam, são fenômenos históricos às
vezes bastante raros. São conseqüências da luta universal entre as classes, da
acumulação de forças imensas que eclodem quando estão maduras, independentemente
da vontade dos que lutam pelo socialismo. Estas revoluções podem triunfar ou
serão derrotadas, podem durar no tempo e manter as suas finalidades
transformadoras ou degenerar, mas demonstrou-se que são o único modo de
transformar profundamente a realidade. De qualquer forma, são inevitáveis. Nós
Trabalhamos para que dêem frutos duradouros, que permitam retornar a experiência
interrompida e elevá-la ao grau mais elevado do movimento operário
revolucionário mundial tenha chegado. A mudança do nome do Jornal de frente
Operária para Revolução Socialista deve-se a proposta feita por J.Posadas,
falecido em 1981, em uma de suas últimas comunicações com os posadistas
brasileiros. Argumentava que de certa forma o nome Frente Operária estava
superado por não mais contemplar a inclusão à luta transformações sociais de
amplos segmentos em processo de proletarização pelo capitalismo, tais como
cientistas, técnicos, intelectuais, religiosos e nacionalistas militares ou não,
cuja mais legítimas aspirações, em última instância, identificam-se com os
objetivos da história da revolução Socialista.
A
revolução no Brasil estão "na ordem do dia"? Provavelmente não. Mas pode "estar
no dia", para usar uma expressão de J. Posadas, referindo-se aos acontecimentos
não previstos pelas vanguardas e que com freqüência ocorrem e as encontram
despreparadas. Nós tratamos de avaliar a correlação de forças, e trabalhar
ativamente para que esta hipótese se concretize. Não acreditamos que a sociedade
brasileira possa se transformar por vias parlamentares: qualquer intelectual
honesto e atento reconhece que o sistema parlamentar brasileiro atual e a
própria Constituição não são outra coisa que um teatro de marionetes, enquanto
se acumulam no país problemas sociais, ambientais e políticos de dimensões
gigantescas e gritantes.
O que
não implica em dizer que sê possa prescindir das lutas no âmbito da democracia
parlamentar burguesa: trata-se simplesmente de priorizar a construção de
instrumentos novos de luta, de poder popular direto, de contestação do caráter
burguês destas instituições e da proposição de novos organismos, instrumentos e
meios de expressão do poder popular. Com esta premissa a "revolução" deixa de
ser uma abstração e passa a ser uma medida concreta, uma disputa de poder real
com a elite dominante, e tem os meios para afirmar-se e não ficar encalacrada na
galeria das lamentações parlamentares estéreis, das CPI's inócuas e dos surtos
de "justiça" de alguns juizes conscienciosos.
Esperamos poder estar à altura desta nova fase, e agradecemos
antecipadamente aos leitores por todas as críticas e objeções que nos serão
feitas, que serão levadas seriamente em consideração para que este seja um
instrumento mais útil ainda.